barrinhas

terça-feira, fevereiro 4

Odoiá

Se queres me elogiar
me chame água
se queres me ver sorrindo
assim, rio.

Lhe peço apenas que venha 
pular minhas ondas
com tua alegria de criança
Pois quero desaguar em teus cabelos
e molhar teus olhos pérolas
Com um manto azul de conchas
te cobrirei ao entardecer
para sentires, assim como eu
o Sol tocando em teu corpo
e vibrando com suavidade
na chegada da Lua.

Te ninarei no vai e vem do meu dançar
dia e noite terás o mar dentro de ti
pra poder num salto alcançar
a delicadeza dos astros.

quinta-feira, janeiro 23

Busca

Em meio a incessantes pensamentos
Busco de algum forma silenciar

As marcas do tempo gritam através de minha pele
Arranho as paredes da memória
tentando encontrar os tesouros escondidos
no baú das lembranças

Sinto o peito arder
Sinto a pele em brasa

Em mim, restaram sonhos
distantes de motivos aparentes.
Ainda os grilos da minha infância
vibram em minha essência

Ziguezagueando a agulha do tempo
aos poucos vou costurando
a manta do entendimento

sexta-feira, abril 5

Futuro do pretérito

Ah! se eu soubesse
Quantas cores tem o céu
Quantas canções sabem os pássaros...
Se eu soubesse medir doçura,
medir amor...
Gustav Klimt
Transformar dor em flor.
Inventar verbo... Me seria um pranto
Pranteava o mel.

Me luaria em universo imenso
Imensaria toda beleza de uma noite estrelada
Infinitaria todo sorriso de um soldado amargo

Se assim fosse
Te diria quantos pés já passaram
pelas pegadas que deixei
Quantos olhares cruzaram
o fio que amarrei do meu olhar ao teu
Quantas metáforas criei.

Eu seria todo José,
toda Maria.
Toda mania de uma filosofia qualquer
E voaria numa pétala de mal-me-quer.
Seria espelho e me enfeitaria
para imitar teus gestos.

E se assim fosse,
seria
Toda poesia de um verso só
Toda fantasia uma nota sol
Toda alegria emaranhada em nós.

E eu seria sempre pequenina
em teu colo apertado
Eterna menina
de jeito desengonçado.
Me guardaria em teu peito
a cada abril despedaçado.

sexta-feira, fevereiro 22

Mais uma canção


Foi à você que fiz as juras mais secretas
saboreei o mais doce desejo
desejei coisas que, inquieta
nunca pude esquecer

Foi com você
que desbravei segredos
fugi dos desapegos
escorreguei no doce voo de um solfejo

Descobri caminhos
redescobri constelações
e por todas as nações
pude entender sentindo

Das formas e latitudes
de cada céu
do gosto e brilho
por trás de cada véu

Mergulhei nas insanas sensações
de abraçar a lua sob um céu estrelado
de afundar pelado
diante da natureza nua

Quente e crua
vou derreter o mundo
e acalentar os seres
que solitários de tudo

fogem das profundezas
daquele eu perverso
que esconde
as verdadeiras belezas

Enlouquecemos e permaneceremos assim
até que a morte nos separe
até que a Terra e o Céu eu desbrave
serei completa se estiveres em mim

segunda-feira, fevereiro 11

Canto


Um dia me afoguei em teus beijos
E confesso, tive medo
Mantive minha razão
E voltei à superfície
Senti um frio inesperado
Que tomou conta da minha alma
Senti vontade de afundar-me
Cada vez mais
Para desfrutar tua carícia
e mergulhar na tua alma

Me desprendi da sanidade
e feito vagalume
uni nossas nossas luzes
nossas cores
e decidi ser eternamente inundada
em tua vida.

Decidi virar peixe
pra não me afogar mais 
em teus beijos.
Agora, apenas mergulho
e me transformo
em uma parte desse imenso
a m a r.