barrinhas

segunda-feira, fevereiro 17

Se(r)mente

Não quero flores ao morrer
não suportaria a ideia de outros cadáveres sobre o meu
quero a oportunidade de renascer
em árvores
quero eternizar meu cheiro entre as matas
e brotar em cada primavera
quero que em cima do que eu deixar nessa terra
brotem lindos tons de verde
que borboletas façam casulo alí
assim
quando eu olhar lá de cima a lembrança do que fui
sentirei o doce encanto de me enxergar mais viva
mais completa
mais dança
mais vento
mais som
mais do que pude ser

sábado, fevereiro 15

A.cor.da

Eu tenho a cor do sol que bate em minha pele
A cor da lua que reflete meu olhar
Em mim o reflexo dos homens que choram
e a sabedoria que transforma dores em canções
Cabe aqui em meu ser a chama que arde no seio das mães

Depois do vazio que afaga
Sou a saudade que sopra na ausência do sentimento de uno
repleta de sonhos do mundo
Me completo com furtas cores


                             acordo horizonte.

quarta-feira, fevereiro 5

Vontade laranja


Alaranjada seja
toda saudade disfarçada de medo
todo aperto que sangra meu peito

Alaranjando estou
agora quando adormeço
longe dos teus seios
me despeço do meu andor

Já estando assim
fim de tarde
fim de dia
anoiteço em mim
Com sede do teu suco
teu toque
teu sabor
laranja

terça-feira, fevereiro 4

Odoiá

Se queres me elogiar
me chame água
se queres me ver sorrindo
assim, rio.

Lhe peço apenas que venha 
pular minhas ondas
com tua alegria de criança
Pois quero desaguar em teus cabelos
e molhar teus olhos pérolas
Com um manto azul de conchas
te cobrirei ao entardecer
para sentires, assim como eu
o Sol tocando em teu corpo
e vibrando com suavidade
na chegada da Lua.

Te ninarei no vai e vem do meu dançar
dia e noite terás o mar dentro de ti
pra poder num salto alcançar
a delicadeza dos astros.

quinta-feira, janeiro 23

Busca

Em meio a incessantes pensamentos
Busco de algum forma silenciar

As marcas do tempo gritam através de minha pele
Arranho as paredes da memória
tentando encontrar os tesouros escondidos
no baú das lembranças

Sinto o peito arder
Sinto a pele em brasa

Em mim, restaram sonhos
distantes de motivos aparentes.
Ainda os grilos da minha infância
vibram em minha essência

Ziguezagueando a agulha do tempo
aos poucos vou costurando
a manta do entendimento