barrinhas

quinta-feira, janeiro 7

Sou uma
Comigo mesma
Encontro todas
de mim mesma

No meu mais profundo
eu
uma superfície
de mim




segunda-feira, maio 4

Res pirando

De repente tudo me pesa.
Minhas roupas,
meus anéis,
minha pele,
meus cabelos.
A vontade que sinto
é de sair correndo
completa mente
Nua.
Sentir em cada passo
o peso do meu corpo.
Parece-me que o mundo
resolveu habitar minha mente.
A palavra se manifesta
em outra esfera.
Sinto-me responsável.
E ao mesmo tempo
oposta.
Percebo meu instinto
me culpando
por ser
plena.
Escrever é minha
lou         cura.

quinta-feira, abril 23

Se for, não te demores
Vá enquanto a tua vontade clama
e antes que tuas asas te ancorem.
Vá, mas vá agora
Pois enquanto tu vira as costas
meu peito chora e a saudade grita.
Vá, que eu abafo a voz
que sai de mim soluçada,
Rasgada, me agita.
Parta, antes que a porta bata
antes que o peito sangre
antes que a lágrima caia
Ante mim, mais nada

E enquanto for
flor serei
florescerá.

segunda-feira, julho 7

Poema

Poema escrito em
letras tortas
caneta fraca
pulso sem firmeza
Sinal de poema leve
que escorrega do coração
até a ponta dos dedos
Leveza que o vento sopra no papel
e vira cor, desenho, flor
E num tufão de metáforas que jorram
da tinta e do sangue
Misturo sentimentos, verdades
e doces mentiras
Para transformar o meu traço
numa nuvem de poesia

quinta-feira, maio 15

Quando a Lua sopra

É o verso preso na garganta
e o tempo que insiste em bater
descompassando toda essa dança
e o peito louco a arder

meu jeito, meus passos, meus olhos
não seguem o que antes seguiam
são palavras cravadas nos ossos
e sem perceber novos sonhos surgiam

nasciam rasgando a pele
brotavam salvando a carne
saltavam pra onde eu não via
corriam com medo do alarde

pari um ser que gestava
um ciclo infinito de seres
um eu de outro eu que restava
se abraçando no tempo
se perdendo no espaço

de nós eu fiz laços
de fitas fiz traços
de mim fiz retalhos
pro manto do dia