De repente tudo me pesa.
Minhas roupas,
meus anéis,
minha pele,
meus cabelos.
A vontade que sinto
é de sair correndo
completa mente
Nua.
Sentir em cada passo
o peso do meu corpo.
Parece-me que o mundo
resolveu habitar minha mente.
A palavra se manifesta
em outra esfera.
Sinto-me responsável.
E ao mesmo tempo
oposta.
Percebo meu instinto
me culpando
por ser
plena.
Escrever é minha
lou cura.
quinta-feira, abril 23
Se for, não te demores
Vá enquanto a tua vontade clama
e antes que tuas asas te ancorem.
Vá, mas vá agora
Pois enquanto tu vira as costas
meu peito chora e a saudade grita.
Vá, que eu abafo a voz
que sai de mim soluçada,
Rasgada, me agita.
Parta, antes que a porta bata
antes que o peito sangre
antes que a lágrima caia
Ante mim, mais nada
Poema escrito em
letras tortas
caneta fraca
pulso sem firmeza
Sinal de poema leve
que escorrega do coração
até a ponta dos dedos
Leveza que o vento sopra no papel
e vira cor, desenho, flor
E num tufão de metáforas que jorram
da tinta e do sangue
Misturo sentimentos, verdades
e doces mentiras
Para transformar o meu traço
numa nuvem de poesia